O diário de uma Alma

Sara tinha uma vida feliz e com tudo que uma garota de 21 anos gostaria de ter, uma bela família, amigos, garotos e uma aparência legal, mas no dia de seu aniversario, ela recebeu o pior presente da sua vida, uma passagem somente de ida para o inferno. Desça estas escadas com cuidado.

“De boas intenções o inferno está cheio”.

Personagens da História

Sara Watsfield

Até hoje não sei como vim parar no inferno. Só sei que farei de tudo para sair daqui, não importa como.

Leonard Naydrag

Este sexto sentido sempre existiu dentro de mim, mas não achava que era nada de especial. Agora tudo faz sentido.

Luana Heloza

Mais uma viagem em minha vida e acabo descobrindo uma das maiores aventuras na cidade em que nasci.

Françoisse Fleur

Mais um dia na presença dos mortos esperando uma resposta do porque estou viva. Finalmente entendi.

Ultimos Capitulos

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Capitulo 13 – Maldição do Casulo


Sara explicou para o Arcebispo Roberto e para o padre Felipe toda sua trajetória desde o inferno, algo que acreditaram somente pelo fato de terem uma morta viva na frente deles.

- Sara, você esta apodrecendo a cada dia. E percebo que não tem condições de você continuar assim, logo você estará derretendo literalmente – disse Felipe olhando sério para o corpo dela.

Sara o olhou brava por um momento, mas no fundo sabia que ele tinha razão – Sim, eu sei disso. A brecha para sair do inferno me jogou neste corpo e não sei como resolver isso...

- Possessão... – disse o Arcebispo a encarando sério.

- Como assim? – Sara o olhou assustada – eu não invadi este corpo, eu fui de alguma forma obrigada a entrar nele.

- Não menina. Infelizmente tenho a solução para você. Seu corpo só esta morrendo porque você possuiu um corpo morto. O correto seria saber se você pode ou não possuir um novo corpo. Felipe, uma de nossas freiras foi atacada por um Gárgula a alguns anos e esta em coma desde então. Gostaria de tentar um experimento.

- Desculpe Arcebispo – disse Sara tentando soar o mais educada possível – eu não sou um rato de laboratório para você ficar fazendo testes, quero apenas ir embora, já estou cansada disso tudo.

- Você tem algum lugar para ir? Você tem algum objetivo de vida? Você sabe o porque de estar aqui? – disse o Arcebispo calmamente – Sara você só esta aqui por algum motivo que não compreendemos, você só esta aqui por Deus deixou.

- Tenho medo de Deus não estar envolvido nisso tudo – ela disse o encarando sério.

- Não custa tentar Sara, pior que você esta não fica – disse Felipe dando um leve sorriso e quase levando um soco em seguida.

Ambos andaram por vários corredores do Monastério, desceram várias escadas e foram indo cada vez mais fundo naquele antigo prédio situado no centro de São Paulo.

- Sara, preciso ser sincero com você. É muito difícil acreditar na sua historia, mas sei que é verdade. E sabemos também que algo errado esta acontecendo, anjos morrendo, guerras em brechas celestiais, algo lá fora esta tramando por algo e não entendemos o que é.

- Felipe eu só queria parar com meu tormento, e todos os caminhos que segui me trouxeram de volta para cá, não sei ainda o porque, mas sinto que em breve vamos descobrir.

Eles chegaram em um corredor que parecia uma ala hospitalar. Ali gemidos de dor e o cheiro rançoso de carne podre trouxe a Sara a lembrança do inferno. Eles caminharam até um quarto onde duas freiras os aguardava olhando para o chão.

Sara entrou no quarto e ali havia uma jovem moça com cabelos loiros, com os olhos abertos e uma respiração ofegante. De tempos em tempos um aparelho pingava colírio em seu olhos enquanto equipamentos médicos mediam sua pressão e pulsação.

- Está é a Juliana, Sara. Era uma caçadora como eu. E ao caçar um Gárgula foi congelada em uma antiga maldição. Os gárgulas tem como arma congelar os oponentes no plano espiritual, deixando assim suas vitimas em estado vegetativo. Após testes notamos que a alma dela não esta completamente pressa a este corpo e não é aceitável que a matemos para livra-la deste tormento – ele a olhava com carinho – ela esta deitada ai há cinco anos.

- Você era próximo dela?

- Ela era minha irmã... – ele disse enxugando uma lágrima.

Roberto entrou no quarto e a olhou com seriedade – Sara, quero ajuda-la, mas preciso saber se você também irá nos ajudar? Não sei ao certo o que você pode fazer, mas os Padres que trabalham comigo podem matar, desde demônios a vampiros de uma maneira rápida e fácil. E não queremos mata-la no futuro. Então você esta conosco ou não?

- Sim, estou com vocês, e sinto de alguma forma que devo ajuda-los por terem me libertado daquela velha demoníaca que tentou me enganar.

- Então, temos um acordo – disse Roberto desligando os aparelhos que mediam a vida do corpo de Juliana – você agora deve ocupar este corpo Sara.

- Eu não sei como fazer isso! Nunca possui ninguém! Já disse.

Felipe a olhou com calma e se aproximou da irmã - Pelo meus estudos Sara, é necessário que você saiba o nome completo da pessoa e seu maior medo para que você possa ocupar o corpo, ou você precisa beber o sangue dela. O que prefere tentar?

- Eu não sei... – Sara se sentia mal, enjoada e começou a quase desmaiar. Suas pernas amoleceram e ela caiu.

- Felipe, ela esta perdendo este corpo, não temos tempo, vamos tentar pelo Sangue! – disse Roberto aparando o corpo dela.

Felipe estava atordoado, quase travando com a pressão, mas respirou fundo. Se aproximou de sua irmã, lhe deu um beijo na testa e se despediu com um pequeno adeus. Com seu canivete cortou o dedo de sua irmã e apontou o dedo na direção de Sara, Roberto a empurrou em direção ao dedo e Sara começou a sugar o sangue de Juliana.

Todas as luzes se apagaram por um momento, e o corpo de Sara se espatifou completamente vazio no chão. Antes de abrir os olhos em seu novo corpo Sara ouviu ao longe...

- Obrigada.



***



Tom estava aturdido no chão ao notar que sangrava ainda mais.

- Você não entende Léo, você não entende....

- Acho que somente você que precisa entender algo seu demônio do Inferno – ele então preparou um novo soco e foi novamente em direção a Tom.

- EU SOU UM ANJO! – gritou Tom olhando firmemente para Léo, fazendo com que ele parasse um novo soco que estava a caminho.

- Você não me parece um anjo sangrando deste jeito – disse Léo se sentindo com uma força incrível - E anjos não matam humanos, anjos os protegem!

- Anjos também equilibram as coisas meu amigo, anjos como Lucifer, revolucionam as coisas – Tom olhava com raiva os seguranças que tentavam ajudar o amigo que estava possuído até pouco tempo atrás.

- O que você quer? – Léo disse o olhando com uma raiva crescente.

- NÓS QUEREMOS SEU MUNDO!



***



Sara se levantou em seu novo corpo, olhando a todos meio aturdida pela transferência.

- Adeus Juliana... – disse Felipe baixinho.

- Ela esta bem Felipe, eu lhe garanto – Sara disse colocando levemente a mão em seu ombro. Neste momento um calor passou pelo corpo dela, e seus cabelos foram aos poucos ficando ruivos – Nossa! Não sabia que isso era possível.

- Nós também não – disse Roberto, demonstrando um leve sorriso de contentamento por tudo ter dado certo.

Nesta hora passos rápidos vieram correndo pelos corredores. E um Padre apareceu ofegante na porta.

- Arcebispo... aconteceu de novo.... temos uma nova atividade espiritual no Aeroporto.

- Vamos Felipe, acredito que esta é a nossa deixa. Sara você vem conosco. Te explicamos todos os eventos que aconteceram no aeroporto no caminho.

Todos saíram as pressas para as SUVS paradas no estacionamento do monastério. Ao entrar no carro Felipe entregou uma medalha de São Bento para Sara. Ela a colocou no pescoço enquanto observava o sol se pondo por trás dos prédios. Felipe a observava com uma certa admiração enquanto analisava se suas facas e pistolas estavam em pleno funcionamento.



***



Por um leve vacilo após ouvir os plano de Tom, Léo toma um soco fortíssimo o que o faz voar longe. De uma forma estranha ele consegue se levantar, sem nenhum arranhão. Tom o observa intrigado, mas avança rapidamente para um novo ataque. Então um tiro perfura a cabeça de Tom, o derrubando na hora! O corpo treme, e um silêncio toma conta do ambiente.

Todos olham para trás e veem sete padres e um moça ruiva, atrás dos seguranças do Aeroporto.

Felipe guarda sua arma e caminha lentamente por entre os seguranças que estão acudindo seus parceiros de trabalho.

- Fiquem tranquilos amigos, viemos para ajudar.

As luzes se apagam, um blecaute geral. Um vento gelado toma conta do local e todos os seguranças desmaiam, juntamente com os passageiros e funcionários do aeroporto.

Felipe tira duas facas de sua cintura, enquanto os outros Padres fazem o mesmo.

- Se preparem! Eles estão vindo.

Um homem entra correndo pelo aeroporto com uma faca na mão e ao se aproximar do grupo que está atento corta a própria garganta, ele despenca aos pés de Felipe que o olho com dá no olhar.

- Ele fez o Sacrifício de Sangue para os demônios, todos são inimigos agora – um dos Padres aponta a faca em direção a Léo e a Luana.

- Estamos bem cara, não somos o inimigo! – disse Léo. Felipe o olha de relance e apenas sorri.

- Se você não é um deles nos ajude! – Felipe então joga uma faca benzida nas mãos de Léo.

- O que faço? – disse Sara a Felipe, se encostando em uma parede.

- Apenas aguarde e tente não morrer de novo.

Apenas a luz da Lua iluminava as grandes janelas do aeroporto e um silencio fúnebre tomava todo local. Um gemido tomou conta de todo aeroporto. Os seguranças começaram a se levantar de uma forma estranha, seus olhos brilhavam vermelho o mesmo som era notável em todo aeroporto.

- É agora rapazes – Felipe se posicionou e furou o estomago do segurança que voava em sua direção – cuidado eles estão com armas.

Um dos seguranças começou a atirar na direção deles sem mirar, mas acabou acertando um dos padres. Os outros seguranças se atiravam em cima dos Padres tentando morde-los.

- Matem todos rápido – não deixem que sacrifiquem estes corpos!

Léo se desvencilhou de um ataque e enfiou a faca nas costas de um dos seguranças.

- Estou matando inocentes cara, o que esta acontecendo? – gritou em direção a Felipe.

- São demônios! Eles possuem os corpos e se sacrificam para gerar energia negra e assim trazem novos demônios – Felipe atacou mais um segurança e continuou a explicação enquanto lutava bravamente – eles consomem o sangue para se fortificar, e se sacrificam para invocar mais demônios. Nossas facas impedem que eles sangrem muito, assim eles não se fortalecem.

- Entendi, mas vamos matar todo mundo?! – Léo neste momento salvou Luana de um ataque de uma atendente possuída.

- Somente a luz pode afasta-lo em massa. Luz Branca! Neste momento minha equipe esta tentando trazer a luz de volta – Felipe nesta hora escorregou no sangue de um dos demônios, um deles ao notar o vacilo correu em sua direção com a faca de um dos Padres mortos na mão. Sara ao ver a cena correu em direção ao Demônio e o agarrou, neste momento de dentro do seu corpo sombras em formato de vidro furaram o corpo do demônio de forma bruta e dolorosa, ele guinchou de dor e caiu no chão morto.


Sara então viu outro demônio tentando atacar Felipe enquanto ele levantava, ao tentar ajuda-lo ela foi agarrada por uma passageira possuída que a jogou para trás e tentou morder o pescoço dela. Sara se esquivou e ao tentar se levantar seus cabelos foram puxados, cortando todos os dedos da possuída. Sara então percebeu o que estava acontecendo. Ela podia atingir os demônios de forma direta e então partiu para o ataque.

Suas unhas rasgavam o corpo dos demônios com uma facilidade incrível, ela a cada morte se sentia melhor, como se estivesse esvaziando um pouco os tormentos do inferno. Seu cabelo clamava pelos dedos demoníacos que a cercavam, e seu cabelo ruivo ficava cada vez mais ruivo com o sangue dos demônios que a agarravam. Ela estava em um frenesi de mortes seguidas quando todas as luzes se acenderam.

Todos os possuídos congelaram, um a um eles foram caindo e a escuridão maléfica que havia tomado conta do aeroporto se dissipou.

As pessoas choravam e se desesperavam sem saber o que havia acontecido, e nesta hora um ônibus com vários padres e freiras entraram no aeroporto oferecendo ajuda, conselho e acolhimento a todos possuídos que no momento estavam em estado de choque.

Felipe se aproximou de Sara cheio de sangue, e em seu olhar era notável um misto de medo e admiração, ela o observava esperando um julgamento ou até mesmo uma facada no abdômen, mas ela sentiu que ele confiava nela, ou ao menos na imagem da irmã dele.

Léo se aproximou também todo coberto de sangue como ambos, atrás dele Luana e Fran que acordava aos poucos mais ainda estava aturdida com a pancada que levou.

- Vocês estão bem – disse Felipe, recebendo um aceno de cabeça positivo de Luana e de Fran e de todos sobreviventes da sua equipe de Clérigos Guerreiros. Ele então olhou para Léo e repetiu a pergunta.

- Estou bem cara, só estou um pouco atordoado com tudo isso.

- Eu conheço esta voz – disse Sara – Eu ouvi esta voz enquanto estava no inferno! – ela então deu um passo para trás com medo de que pudesse ser mais uma armadilha dos demônios.

- Eu também lembro de você, tudo isso começou a partir do momento que ouvi sua voz! Se você estava no inferno o que você esta fazendo aqui? - Léo disse ansioso.

- Teremos tempo de conversar na hora certa! Ainda estamos em perigo aqui – disse Felipe.

- Acredito que temos muito que conversar Padre. Preciso realmente entender o que Padres, Freiras, Demônios e uma ex moradora do inferno fazem por aqui.

Felipe o olhou com calma, observando seu colar e suas tatuagens nos pulsos escondidas por pulseiras e um relógio então disse.

- E eu preciso entender o que um Gardian faz com um anel de Vampiro no dedo.

Capitulo 12 – Cara ou Coroa


O sangue do pescoço da mulher escorria pelo chão e então a velha com uma faca, começou cortar a barriga da jovem. Sara então foi acordando aos poucos e segurou um grito histérico ao ver aquela cena. A velha foi puxando o feto para fora da barriga da mãe morta e o levantou até o alto de sua cabeça. A velha então colocou a cabeça para trás e sua mandíbula se abriu de forma extremamente anormal, ela então foi colocando o feto semi-morto em sua boca e começou a engoli-lo. 

O movimento foi muito rápido, uma lamina passou girando por cima de Sara e acertou o pescoço da velha em cheio, a velha e o feto caíram por cima da mãe morta que ainda estava com o pescoço sangrando.

- Não cheguei a tempo – disse o homem branco com cabelos escuros em um pequeno fone que estava pendurado em sua orelha, ele então caminhou até Sara e analisou a ferida em sua barriga.

- Por favor você pode me ajudar? – disse Sara olhando para ele firmemente.

- Você é uma Hibrida? – ele disse apontando uma pistola semi-automática para a cabeça dela – seja sincera.

- Eu não sei o que é isso – disse Sara olhando fixamente nos olhos dele.

- Você é um demônio? Um vampiro? Uma Gárgula? Uma Valquíria?

- Eu não sou um Vampiro nem nada disso que você falou. Mas pelo o que sei já fui um demônio ou quase isso, mas não como essa ae, pelo o que vi aqui eu seria a próxima a virar alimento.

- Está velha que você conheceu é um demônio que estamos procurando a meses. Eles se infiltram nos bairros e começam a fazer pactos com os moradores, oferecendo saúde, cura e dinheiro em troca pede favores como sangue, animais e em casos extremos, fetos e crianças.

- Sei que o papo está legal mas será que você poderia me soltar?

- Se você é uma hibrida com certeza seu corpo está apodrecendo e pelo jeito você não sabe como resolver isso certo?

- É realmente eu não sei. Mas sei que tenho pouco tempo antes de parecer um zumbi podre caminhando por ae. Eu realmente preciso de ajuda e posso te contar toda minha historia se você souber como me ajudar a não continuar apodrecendo.

- Ok – ele então com um canivete foi soltando Sara – e claro me chamo Felipe.

- Sara, prazer em tem conhecer Felipe – ela então percebeu que ele se vestia como um Padre mas sem usar o colarinho branco típico da religião, ele também calçava botas e percebeu que também portava uma arma que quase não aparecia por debaixo da batina.

- O prazer é meu, por favor segure isto - ele então ofereceu a ela uma pequena caixa de prata e ela segurou aquela pequena caixinha sem entender o que tinha dentro - ele então sorriu e pegou a caixinha de volta.

- Desculpe Felipe mas não entendi este sorriso.

- Sara, esta caixinha contem uma relíquia arcadiana em seu interior, ela queima espíritos impuros e tem o poder de afasta-los. Usamos para identificar demônios em nosso plano.

- Nunca acreditei que existiam demônios, anjos ou qualquer coisa assim, na verdade percebo que nunca acreditei realmente em nada, e agora estou presa dentro deste corpo morto e não sei o que realmente estou fazendo aqui.

- Nenhuma alma sai do inferno sem um motivo Sara, seja esta alma pertencente a Deus ou ao Diabo. E como minha caixa arcadiana não te queimou tenho a leve impressão que devo ajuda-la.

- NÃO! Quer dizer não precisa. Eu estou indo muito mal ao aceitar a ajuda das pessoas ou demônios ou sei lá o que você também seja…

- Eu te entendo. Vou esclarecer tudo, só preciso de uma chance. – ele então apontou para a porta onde havia uma SUV preta com mais dois padres na porta a espera, era de madrugada e o bairro da liberdade estava começando a despertar, com vendedores e funcionários chegando aos poucos para começar mais um dia.

A SVU chegou então no Centro de São Paulo, e eles foram caminhando sentido ao monastério de São Bento ao lado do metro de mesmo nome, mas entraram pela igreja e não pela porta do monastério. Ali Sara notou varias caveiras e símbolos esculpidos nas portas e paredes, e se lembrou de ter visto tais símbolos em algumas portas do inferno, aquilo a assustou.

Felipe guiou Sara para o fundo da igreja e lá ela foi recebida por mais dois padres que pareciam seguranças. Eles então desceram algumas escadas e a levaram para uma sala. Ali um senhor de idade os aguardava e seus olhos eram azuis de uma forma quase angelical.

- Olá menina. Me chamo Roberto e quero muito entender o que esta acontecendo.

- Olá, me chamo Sara e realmente quero entender também o que esta acontecendo, tudo ainda esta muito confuso para mim.

Felipe então olhou para Roberto com uma cara preocupada e então, foi ate perto do idoso e falou baixo em seu ouvido, contando um pouco sobre a morte do demônio que acabara de acontecer.

- Sara por favor, nos explique calmamente o que aconteceu com você e como foi que a senhorita teve contato com aquele demônio.

Sara respirou fundo e decidiu contar toda a verdade para eles. Pior do que estava, não podia ficar.... pelo menos era isso que ela achava.



***

Leonard acordou exausto. Simplesmente não se lembrava do final do ritual. E o sitio onde estava, pareceria abandonado se não fosse pela presença de algumas mulheres que arrumavam todo o local e vaziam café e já iniciavam o preparo do almoço.

- Bom dia - disse Fran ao lado de Luana.

- Meninas vocês não vão acreditar no que aconteceu ontem...

- Calma Léo. Nós sabemos estávamos lá. E podemos dizer que deu tudo certo. Mas precisamos que você tenha calma, pois agora as coisas ficarão um pouco mais complicadas pelo Dharma.

- Como assim? – Perguntou Léo se levantando da cama e se vestindo com uma calça jeans, tênis de corrida e uma camiseta cinza com algum escrito laranja no peito. Por algum motivo que ele não conseguiu explicar, ele se sentia muito a vontade com as meninas e não tinha mais a timidez de antes.

* Elas irão explicar para você que agora sua vida irá fluir de uma forma diferente, já que você esta no caminho certo.

Leonard se assustou, e olhou para os lados, não viu ninguém. Ele achava que uma boa parte do que vivenciou no dia anterior era apenas fruto da sua imaginação, mas Silfiun seu guardião estava ali, invisível, indetectável mas com uma presença forte, quase palpável.

Fran e Luana olharam para ele, e então sorriram, Luana complementou.

- Você esta vendo seu guardião correto?

- Sim Lu, mas eu não o vejo, mas parece que ele mora em mim, é estranho...

- Não se preocupe, você esta bem guardado, todos deviam ter um guardião, mas precisam se resolver espiritualmente antes de conquistar um. E existe o fato que algumas pessoas ao invés de criar um Guardião como o seu, criam um Demonaty, algo bem estranho e sombrio. Que bom que você passou no teste – ela disse sorrindo.

- Passei mesmo? Pelo que entendi ontem fui meio que abusado sexualmente por dezenas de mulheres de todos tipos, idades e raças – ele deu um sorriso nervoso lembrando da noite anterior.

- Na verdade foram centenas, Léo – disse Fran – mais bruxas, feiticeiras e sacerdotisas chegaram após o inicio da sua cerimonia. Mas deu tudo certo, o ritual era antigo e fizemos nosso melhor.

Ele se sentou na cama novamente. E Fran continuou.

- Precisamos agora ver os sinais Léo, precisamos ver aonde sua energia vai nos levar, somente ela mostrará a direção para entendermos toda esta loucura que esta acontecendo. Algumas bruxas receberam sinais de que algo muito grande e macabro estava acontecendo, outras tiveram visões do evento que aconteceu no Aeroporto e ate agora não entendemos muito bem o que esta acontecendo, só sabemos que você de alguma maneira faz parte disso tudo.

- Eu não sei se estes sinais que vocês procuram irão realmente aparecer... – nesta hora o celular de Leonard tocou. No display aparecia a identificação do chamador – TIAGO THOY. Ele atendeu correndo.

- Tiago! E ai? Tudo bem cara?

- Olá... é o Léo? – a voz não era do Thiago.

- Sim, sou eu. Cadê o Thiago o que aconteceu? ... Ele tá bem.

- Meu nome é Lucas, é sou primo dele Léo. Estou te ligando porque chegamos hoje em São Paulo e o Tiago foi atacado por três pessoas completamente insanas no Aeroporto. E ele.... – ouve uma pausa – esta em estado bem grave.

- Meu Deus.... vou tentar ir para ai. Preciso ve-lo. Qual o nome do hospital? Eu quero...

- Por favor não venha... Ele conseguiu falar agora a pouco e me pediu apenas para te ligar. Ele disse: ligue para o Léo, pegue o anel, eles querem o anel. Não sei bem o que isso quer dizer mas estou fazendo o que ele pediu.

- Eu entendo.... agradeço o contato. Assim que possível ligo para você neste numero e tento visitar ele o mais rápido possível ok? - Lucas se despediu e desligou o celular.

- Você esta bem Léo – disse Luana se aproximando dele.

- Meu amigo foi atacado por três pessoas no Aeroporto e esta em estado grave... – Nesta hora Léo se levantou e teve uma sensação estranha de clareza – Meninas! Eu sei par aonde devemos ir. Vamos agora mesmo para o Aeroporto.

No carro Léo explicou para as novas amigas que no dia que conheceu Luana ele estava indo buscar uma mala a pedido de Tiago. E que nesta hora que ele teve esta experiência estranha de sair do corpo e ter seu primeiro contato espiritual do outro lado.

- Chegamos! – disse Fran estacionando o carro ao lado do Aeroporto.

A presença da policia ali era muito maior que antes, mas eles perceberam que as autoridades conseguiram abafar tudo o que aconteceu. E leram numa parede próxima uma mensagem que o Aeroporto estava em reforma por culpa de uma explosão em um duto de Gasolina que causou a explosão de vários canos de gás por São Paulo.

- Vocês perceberam que tudo parece estar sendo manipulado de alguma forma para que ninguém saiba de tudo o que aconteceu? – disse Fran.

- Sim, eles não querem que ninguém saiba a guerra que esta acontecendo, bem debaixo do nariz de todo mundo – disse Léo olhando para dentro do aeroporto e vendo todos se comportando normalmente.

Do outro lado da rua um taxista olhava para eles com os olhos dourados e uma expressão de alegria no semblante. Thomaziel esperava ansioso pela volta deles.

Léo, Luana e Fran entraram no aeroporto e foram direto para o guichê onde se confirmaram aonde poderiam pegar uma bagagem reservada. Após serem guiados foram para uma aérea especial de bagagens.

Luana suava frio – Pessoal estou preocupada, ainda lembro como se fosse hoje daquele corpo jogado na esteira sangrando – Léo a olhou preocupado – só tenho medo que ...

- Não vai acontecer nada – Léo sorriu para ela tentando esconder o nervosismo.

Fran respirou fundo e aumentou sua energia para ver se sentia ou via alguma coisa a mais. Ela sentiu uma onda de ansiedade e raiva muito grande sendo projetada para eles.

- Pessoal, eu estou sentid.... – ela foi interrompida pela atendente e decidiu esperar um pouco para passar o que sentia aos seus amigos.

- Olá Senhor Leonard, aqui esta a caixa que seu amigo deixou autorizado para o senhor retirar – ela então lhe entregou um embrulho comum revestido com uma película plástica de proteção de bagagens comuns em aeroportos.

Léo se afastou e sentou em uma cadeira isolada no canto do aeroporto. Sentiu um impulso forte vindo da caixa e decidiu abri-la. Talvez aquela caixa fosse o motivo do espancamento de seu amigo. Tirou um pequeno canivete do bolso e abriu a película plástica. Ali havia uma pequena caixa prata de metal com um aspecto de ser um pouco antiga. E dentro desta caixa de metal Léo achou um anel preto com uma formato de cruz e uma pequena pedra vermelha no meio. Ele ficou admirado com a sofisticação da peça. 

- Léo – disse Fran se aproximando junto de Luana – Estou com um pressentimento estranho tanto do Aeroporto como deste anel – ela observava o anel tentando decifra-lo.

Léo por instinto ou impulso colocou o anel no dedo. Ao fazer isso um pó dourado emergiu de sua pele e abraçou o anel, o mesmo ficou quente e de preto passou para prata. Léo percebeu que este pó era da lança do anjo que ele viu morrer ali mesmo no Aeroporto. O anel em seu dedo então reverberou uma forte energia em seu corpo e naquele momento ele absorveu alguma energia que ele não conseguiu identificar, esta energia circulava por seu corpo e passava pelo anel como se a mesma se renova-se a cada segundo. Léo então sentiu o cheiro de sangue que havia escondido em todo aeroporto por debaixo de todos os produtos de limpeza. Seu olho por alguns segundos ficou vermelho, depois dourado e depois voltou ao normal. Suas tatuagens queimaram e tudo parou, e ele voltou a se sentir normal de novo.

- Meninas, me sinto incrível! – ele disse admirando o anel e dando uma leve sorriso.

Elas o olhavam assustadas. Em seu olhar e na forma que falou elas sentiam uma sedução muito forte, sentiam também um perigo gigante. O sexta-sentido de ambas alertavam que ele não era mais o mesmo. Léo ao notar isso, se levantou e encarou as duas com sutileza.

- Fiquem tranquilas, eu estou bem. Me sinto apenas estranho em relação as outras pessoas.

Neste momento um senhor se aproximou deles, os olhou calmamente e todos notaram que seus olhos tinham um tom estranho que puxava para o dourado.

- Olá Léo. Sei que você não me conhece mas preciso que me passe este anel por favor.

- Desculpe, mas quem é você e porque eu deveria fazer isso? – disse Léo.

- Pode me chamar de Thomaz ou melhor me chame de Tom. Por favor me passe o anel – Thomaziel disse isso sorrindo gentilmente.

- Me desculpe amigo. Este anel não lhe pertence. E nem me pertence. Por favor nos de licença.

Léo então se virou e caminhou para fora do aeroporto, ao passar ao lado de Tom foi agarrado pela gola e levantado facilmente no ar. Luana e Fran olharam para aquela situação sem reação, Fran então em um impulso avançou para cima de Tom. Ele lhe empurrou a lançando no ar com uma força descomunal. Luana então deu um grito ao ver sua amiga sendo lançada para longe. Nesta hora um segurança apareceu e ao ver a situação já pediu reforços pelo rádio.

- PARADO! – gritou o segurança sacando uma pistola. Ele então começou ficou paralisado ao olhar nos olhos de Tom, após isso começou a tremer e seus olhos começaram a virar. Ele então parou e ficou estático.

- Quemmm... é você!? – disse Léo tentando respirar.

- Sou apenas mais um ser de luz em sua vida Léo. Por favor me de o anel – ele então colocou Léo no chão e estendeu a mão o olhando fixamente.

Léo então segurou o anel e começou a tirar ele do dedo. Então pensou no porque dele não ter tomado o anel dele a força. Neste momento o colocou de volta e extendeu a mão para Tom. – Pode pegar você.

Tom o olhou com escarnio, e sua face se enrugou demonstrando fúria.

- Sim... você é esperto. Eu não posso toma-lo. Mas outras pessoas podem, só preciso de um pouco mais de liberdade – neste momento Tom olhou para o segurança, ele neste momento começou a levantar a arma e a colocou dentro da boca. Outros seguranças apareceram neste momento e viram de perto a cena, o gatilho foi puxado e todo o cérebro do segurança sujou o teto e a parede próxima.

Nesta hora Tom olhou para os outros cinco seguranças dali e dois deles começaram a virar os olhos como o anterior a diferença é que eles não ficaram parados. Ambos começaram a atacar ferozmente os outros seguranças.

Luana estava assustada assistindo a cena ao lado de Fran que tinha desmaiado por ter batido a cabeça em um balcão ao ser lançada. Após um dos seguranças ter morrido a mordidas, Tom olhou para Luana e ela congelou. Ao notar isso Léo gritou e deu um soco no rosto de Tom.

Um clarão visto apenas por médiuns foi notado a quilômetros. O anel quebrou o maxilar de Tom, e sugou muito de sua energia. Luana neste momento voltou ao normal, e um dos seguranças que estava tentando atacar aos outros parou e retomou a consciência na hora.

Tom de joelhos, olhou assustado para Leonard – Você não deveria me acertar, isso é impossível – ele disse enxugando um sangue dourado que agora escorria de sua boca – você é apenas... um Humano.

Léo sentiu uma energia revitalizante preenchendo seu corpo vindo do anel. Seu olhar se focou e ele sentiu o tempo passando de uma forma diferente.


- Pelo jeito eu posso te acertar sim – ele então avançou acertando mais um soco!
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terça-feira, 7 de junho de 2011

Capitulo 11 – Descanse em Paz

Eu corri, corri muito. Não entendi até agora como reencarnei. Eu me lembro de tudo claramente do preto velho da arvore e me lembro também da doutora no necrotério. Esta ferida na minha barriga não dói e não sei se vai continuar assim. Sinto como se esse corpo ainda estivesse em decomposição então é melhor não demorar muito para entender como posso me fixar aqui na terra de novo. Para o inferno eu não volto.

Decidi após muito tempo ir para a casa da minha família queria muito vê-los. Mas sabia que teria que ser cuidadosa. A rua continuava tranqüila no meu bairro e as casas estavam com cores e portões diferentes. Com certeza em mais de 50 anos muitas coisas teriam acontecido e uma delas era com certeza a morte dos meus pais. Após muito tempo criando coragem decidi apertar a campainha da minha antiga casa, torci para que não estranhassem minhas roupas e o jaleco branco pendurado em meus braços.

- Olá, quem é? – disse uma voz feminina meio robótica no interfone.
- Er....... – minha voz não saia, nunca pensei que fosse ouvir de novo o som da voz de minha mãe – olá senhora tudo bem?
- Sim, quem fala?
- Sou amiga da sua filha, me chamo Samantha e gostaria muito de falar com a senhora sobre ela. Seria possível?
- Claro minha jovem, se você foi amiga da Sara será bem vinda em casa, vou abrir o portão.

Meu coração semimorto batia forte no meu peito e eu sentia uma euforia e um medo forte como se não devesse estar ali. Minha mãe caminhou devagar até o portão e o abriu com calma, ela não parecia ter envelhecido muito e estava doce como sempre. Mas ao olhar fundo em seus olhos percebi que uma parte dela estava morta e isso eu nunca conseguiria mudar. Ela me convidou para dentro de casa e nessa hora eu senti uma sensação estranha como se o tempo tivesse parado e nessa hora lembrei que tempo era algo que eu não tinha, então não podia demorar.

- Sente-e mocinha. Seu nome é Samantha de que? – minha mãe me disse caminhando levemente até a cozinha e voltou trazendo dois copos e uma jarra de água gelada.
- Me chamo Samantha Vilhena – inventei o nome rapidamente e então me servi de um copo com água.
- Prazer Samantha. Eu e o pai da Sara ficamos muito abalados com a história da morte dela e até hoje não entendemos realmente o que aconteceu. O pai dela trabalha na policia e não está no momento, após a morte de Sara ele quase não para em casa e se dedica muito ao trabalho mesmo tendo se aposentado há alguns anos.
- Entendo, ele se empenhou mais no trabalho, isso é natural após uma perda assim.
Minha mãe respirou e olhou para a janela, mas seu olhar estava tão vago que parecia que ela estava vendo o passado há tanto tempo esquecido.
- A policia diz que ela matou um amigo dela e depois se envolveu em um acidente com rapazes da mesma festa onde ela estava. E não consigo entender até hoje o que aconteceu Samantha– eu não podia mentir precisava contar para ela, mas como?
- Qual o nome da senhora mesmo? – disse disfarçando uma curiosidade.
- Pode me chamar de Lia, mas meu nome é Célia – ela disse bebendo um pouco de água e com certeza estava segurando lágrimas dolorosas.
- Dona Lia, eu vim aqui falar com a senhora porque tomei coragem para lhe contar algo muito importante.
- Por favor, me diga o que tem para dizer – ela então se arrumou no sofá para me escutar melhor.
- Eu estava na festa com sua filha dona Lia e sei o que aconteceu. Acho que a senhora deveria saber o que eu sei – eu disse olhando seriamente para os olhos dela.
- Eu peço a Deus há três anos que me explique o que aconteceu e finalmente alguém sabe, por favor, minha filha me conte – está frase com ela me chamando de minha filha me fez engasgar. Mas respirei fundo e continuei.
- Sua filha foi estuprada dona Lia. Ela infelizmente não sabia quem era o culpado e pensou que fosse o amigo dela o Rodrigo. E creio que por causa disso ela o atropelou e logo depois sofreu o acidente com os caras que provavelmente a haviam estuprado, não sei muitos detalhes mais acho que esta informação já pode esclarecer muita coisa para senhora.
- Finalmente entendi. Minha filha se confundiu quanto ao seu agressor e fez um mau julgamento, como não pensei nisso antes? Porque ninguém da faculdade me contou isso? Agora eu acho que entendo – ela então ficou pensativa por alguns minutos e então respirando fundo disse – Obrigada!
- Não me agradeça. Eu sinto muito o que houve com a sua filha, tenho certeza que vocês sentem tanta falta dela como ela deve sentir de vocês onde quer que esteja.
- Minha religião me ensinou que pessoas como minha filha iriam para o inferno pelo o que ela fez. Mas Deus é justo e deve ter perdoado minha menina – minha mãe começou a chorar – sinto falta dela... sinto falta e arrependimento. Quando ela saiu naquela noite ela deu um beijo no pai dela porque ele pediu, eu devia ter feito o mesmo. Mas apenas acenei e desejei que ela saísse com Deus, ela não me respondeu. Apenas foi embora e nunca mais voltou – as lágrimas caiam sem parar do rosto dela. Então sem me explicar a abracei forte e comecei a chorar junto com minha mãe. Ficamos chorando juntas por alguns minutos e então nos separamos suavemente.

Nos duas tomamos água e enxugamos nossos rostos. Ela então se levantou e subiu as escadas e logo voltou com uma caixinha preta.
- Minha filha foi cremada Samantha e tenho certeza que ela gostaria que você fica-se com isso – ela então me passou a caixinha preta. Ao abri-la vi ali dentro a corrente com o pequeno sol banhado a ouro que eu usava desde pequena e que nunca descascava – espero que este sol ilumine seu caminho Samantha.
- Obrigada dona Lia, preciso ir agora - então me levantei e minha mãe me levou até o portão.
- Se precisar de algo volte mocinha ficarei feliz em ajudá-la.
- Obrigada, não me esquecerei disso – e fui me afastando, sabendo que não a veria nunca mais. Minha mãe então gritou pelo portão.
- Fique com Deus filha! – e acenou fortemente a mão em minha direção.
- Fique com Deus! – eu gritei, sabendo que seria a ultima vez que ouviria a palavra filha então sussurrei só pra mim – Mãe.


A caminhada pelo inferno era intrigante para Leonard, como tudo aquilo poderia estar acontecendo. Ele já caminhava por alguns dias e somente ao longe conseguiu visualizar uma arvore enorme que provavelmente seria a que ele deveria alcançar. Ao se aproximar Léo percebei um senhor idoso de barba e cabelo branco e se aproximou.
- Olá o senhor é...??? – ele não conseguiu terminar a frase.
- Sim jovem vois mice já sabe quem eu sou. Sou o preto velho, o preto que guarda sua passagem para o plano do meio ou de cima. Mas a questão é, você já conhece o plano de cima, quer voltar lá?
- Sinceramente eu acho que não preciso voltar lá, já aprendi que existe o céu e o inferno e isso para mim já basta, mas se devo me enviei por favor.
- Nada nunca basta, nunca as coisas tem fim, o fim não existe, só existe o recomeço, o novo já foi algo velho e o velho sempre poderá se transformar em algo novo. A vida é assim e a morte também.
- Acho que entendo – Léo disse olhando para o preto velho de forma direta e confortável. O preto velho se aproximou e pegou em suas mãos.
- Você tem a marca do Gardian, agora vois mice pode caminhar entre os planos e assim pode seguir em frente.
- Até agora não entendi o que esperam de mim, querem que eu lute, querem que eu defenda, querem que eu entenda e até agora não consegui entender até onde devo ir.
- Vá até o final Leonard, vá sempre até o fim. Como eu te disse o fim sempre é um recomeço, e essa lei vale para todos. Você esta pronto para voltar para casa?
- Sim estou, já faz quase um mês que estou aqui e só quero voltar mas antes preciso passar pelo céu é isso?
- Sim mas a passagem pelas nuvens é rapidinha, logo você ta de volta – ele então deu uma risada gostosa e quente - seu corpo te espera meu jovem e isso é um privilegio para poucos. Agora que vois mice conheceu o lado quente é hora de voar pelas nuvens também, e depois disso ocê já pode decidir até onde quer ir, isso é o que importa. – o preto velho então encostou Leonard na arvore e após isso marcou com as cinzas de seu cachimbo símbolos eu sua pele e depois sobrou fumaça em seu corpo.
A árvore se fechou e ele sentiu como se fosse espremido, a sensação era sufocante e desesperadora.

Seus olhos se abriram e ele estava em uma cama de hospital diferente. A cama flutuava e todo o local era confortável e com um tom azul bem claro o que trazia uma calma e conforto ao lugar.

- Seja bem vindo Léo – disse um homem alto e magro de olhos claros e vestes brancas como a de um enfermeiro.
- Eu te conheço? – disse Léo assustado com a intimidade do enfermeiro.
- Em partes sim, já fomos parentes a muitas encarnações mas isso você não se lembrará agora. O objetivo agora é passar pelo outro tratamento que você precisa para continuar com sua jornada esta pronto?
- Sim estou pronto.
- Me acompanhe por favor – Léo se levantou da maca flutuante e notou que estava nu. Logo ele se assustou e estendeu a mão para pegar uma calça e um camiseta branca que estavam ao lado da sua cama – o enfermeiro deu um leve sorriso e continuou caminhando.
- Como funciona este novo tratamento que devo fazer?
- Este tratamento é uma escolha de informações, você será treinado a usar seu guardião e este guardião guardará informações para você.
- Como assim um guardião? – Léo perguntou sem entender.
- Sabe aquele homem que você encontrou antes de começar seu ritual? Aquele que se apresentou como Silfiun?
- Sim sei – disse Léo se esforçando a se lembrar.
Então, este homem é seu guardião, e ele apenas espera sua evolução espiritual para te acompanhar na sua jornada. Você hoje aprenderá o real nome dele e após descobrir isso você terá um companheiro em sua jornada que te aconselhará e te ajudará em momentos difíceis.
- Mas o que ele é realmente? É tipo um anjo da guarda?
- Na verdade os anjos da guarda existem mas não são exclusivos, um guardião é somente seu e não pode ser compartilhado com mais ninguém. O guardião é um anjo em treinamento e existem coisas que eles aprendem somente com pessoas encarnadas. Algumas pessoas os chamam de guias espirituais, amigo imaginário e assim por diante, no caso dos gardians eles são guardiões e estes guardiões tem a força de armazenar informações, buscar respostas, guiar, auxiliar, confortar e até mesmo lutar pelo Gardian, é quase como um melhor amigo divino.
- Eu acho que entendi...
- Na verdade você não entendeu, a maioria dos gardians levam anos para conhecer e aproveitar todo o potencial do Gardian e a maioria passa por um processo doloroso para entender isso, existem casos de pessoas que ficaram sem falar por anos para aprender a falar com seus guardiões e assim por diante.
- Ok – eles continuaram andando por um corredor branco enorme que parecia não ter fim. E chegaram a uma sala em formato de sol, cada ponta desse sol tinha cerca de 05 camas e existiam 8 pontas nesse sol e somente duas camas estavam ocupadas. - Essa é uma central Gardian, antigamente muitos Gardian passavam por aqui, mas a linhagem foi se desequilibrando e se afastando dos seus afazeres após a queda dos Templários, mas ainda existem alguns e você é um deles.
- Por favor deite-se – Léo se deitou e após fazer isso um pano branco foi colocado sobre seus olhos – apenas escute.

Após alguns minutos ele começou a ouvir um chiado em seus ouvidos e então ouviu alguém chamando.

- Quem está aí? – A voz quase muda não era clara ainda, e Léo começou a sentir um desespero ao ouvi-la indo cada vez mais longe.
* Acalme-se....
Ele então começou a respirar mais devagar e tentou relaxar.
* Acalme-se e me ouça.... Eu estou aqui ao seu lado, quero apenas que aceite que estou aqui para ajudá-lo ok?
- Sim eu aceito.
* Apenas pense na resposta não precisamos conversar.
* Você também consegue me ouvir?
* Consigo sim Léo, sempre te ouvirei se você assim quiser. Agora temos que nos focar em suas lembranças. Para que eu posso te preparar para o que você tem que viver é necessário que eu apague uma boa parte da sua memória, assim conseguirei restituir lembranças de muitas encarnações atrás, perdidas por culpa da dor e do sofrimento de inúmeros partos. Você aceita isso?
* Você apagará toda minha infância, tudo o que vivi quando criança?
* Sim, mas te garanto que a falta dessas lembranças não apagará os sentimentos e a sua personalidade atual, você aceita este sacrifício?
* Aceito.
* então você esta pronto para ouvir meu real nome, ele é ................... Compreendeu?
* Sim compreendi, e agora você me ajudará até minha morte?
* Sim, te ajudarei até seu ultimo suspiro nessa encarnação. Precisamos treinar o modo como você pode obter informações do livro Akashico e como você pode armazenar informações comigo e outras coisas também. Ok?
* Ok, vamos começar.

Leonard ficou então deitado durante alguns dias ouvindo as explicações e colocando em pratica os exercícios passados pelo seu guardião Silfiun, a cada hora ele aprendia coisas mais e mais interessantes e esse ensinamento o foi preparando para o que viria a lhe acontecer.

* Agora você já esta pronto para continuar sua jornada, tire sua venda - ao tirar a venda Léo reparou que seu guardião estava ao seu lado com as mesmas roupas de antes de sua iniciação no ritual – temos que ir se levante e atravesse aquela porta.

Nesse instante Léo se sentiu muito familiarizado com seu guardião como se ele estivesse sempre ali ao seu lado e por isso sentiu um conforto interno muito grande. Ele então caminhou até a porta e ao abri-la foi sugado para dentro dela.

Ele acordou com a jovem loira encaixada em seu corpo e a sua volta a musica e as mulheres continuavam, dando prosseguimento ao ritual. A jovem tirou a adaga do peito de Leonard e se levantou devagar ao se levantar ela desmaiou. Leonard pode acompanhar de forma incrivelmente nítida uma alma em chamas voltar para a fogueira. Antes de entrar na fogueira novamente a alma se virou para ele e sorriu, Léo sentia que ela era uma antiga Deusa, sem nome, sem historia e sem livros que falassem dela ou de sua jornada, mas ela estava ali se despedindo e agora eles eram íntimos de alguma forma.

As mulheres então trouxeram uma túnica branca para Leonard e o vestiram cobrindo sua nudez. A jovem loira recobrou sua consciência e já estava em pé vestindo sua túnica negra. A música então foi mudando e as mulheres saíram daquele forte transe e começaram a se separar umas das outras. Sem nem mesmo olhar para o lado Leonard sentiu a presença de seu guardião que o acompanharia a partir daquele momento em sua jornada. Todas começaram a e vestir e a dançar novamente ainda em transe mas agora todas estavam em um transe leve e coletivo. Uma mulher de túnica dourada entrou no circulo de mulheres negras e então estendeu no chão um pano dourado muito fofo. As mulheres de túnica negra agora saíram da roda e entraram no grande circulo que circundava a fogueira e agora Leonard e a mulher de dourado, esta mulher começou então a se despir e a se deitar enquanto que a musica mudou para algo suave mais pulsante e Leonard entendeu que deveria se deitar ali com aquela mulher desconhecida. Eles se beijaram e começaram a transar, quando Léo estava a pronto de chegar ao ápice de prazer, a mulher o segurou e parou a ejaculação. 

Então ela o levantou e nu eles foram caminhando pelo circulo feito por dezenas de mulheres. Ele então beijou cada uma carinhosamente, algumas o beijavam mais forte, outras apenas encostavam seus lábios no dele, e outras o beijavam com paixão, ele chegou a perder a conta de quantas mulheres ele já havia beijado. A mulher de dourado então o levou para o centro da roda novamente e ali furando seu dedo médio pingou 07 gotas de sangue em um cálice grande feito de prata. Este cálice circulou toda a roda e todas as mulheres beberam uma gota do sangue que agora não era mais de um simples mortal.




Eu caminhei pelas ruas em direção ao bairro da Liberdade ali eu poderia buscar mais informações sobre como trocar de corpo, eu não tinha certeza disso, mas minha mente me dizia que eu deveria ir para lá. Este corpo feminino esta cada vez mais estranho e frio e o ferimento na minha barriga, não esta cicatrizando. Eu preciso de ajuda.

Ao chegar ao bairro da Liberdade fui descendo a rua dos estudantes e parei em uma esquina do lado direito logo após algumas lojas, esta esquina dava para uma rua sem saída. No final dessa rua sentada em frente a uma antiga igreja eu vi uma senhora que olhou para mim e acenou com a cabeça. Os olhos dela brilharam vermelho e eu sabia que devia me aproximar. Nem tive muito tempo de me aproximar.

- Olá Sara – disse a velha sentada em uma caixa de madeira usada em feiras.
- Você me conhece? – Sara disse assustada tentando entender de onde aquela mulher a reconheceria.
- Eu conheço o inferno Sara e conheço também as pessoas que saíram de lá sem permissão.
- Eu não sai sem permissão , eu ... – ela não conseguiu terminar a frase.
- Não precisa se explicar Sara, dificilmente virá alguém te buscar aqui. Mas você precisa saber que você esta se apossando de um corpo morto e este corpo esta sugando uma energia muito grande para não apodrecer o ideal é que você mude de corpo e após essa mudança você conseguirá se manter no corpo doado.
- Mudar de corpo? Corpo doado? Desculpa mas não sei se estou conseguindo entender o que é que você esta me dizendo.
- Você pode pegar outro corpo Sara, conheço uma pessoa que desistiu de viver e que poderá lhe passar o corpo dela para você com alguns anos de vida. E você precisará desses anos para conseguir pagar o karma que você deve antes de morrer novamente, caso o contrario você voltara para o inferno novamente mesmo podendo caminhar nos dois planos.
- Entendi, como devemos fazer? Como sei que posso confiar em você? – Sara disse olhando seriamente para a mulher idosa que a encarava sem medo.
- Você nunca saberá se pode confiar em mim ou não Sara, afinal de contas você confiou em um anjo e se deu mal e pensando bem creio que você não possa confiar em ninguém.

A velha se levantou e então entrou na antiga igreja que tinha um interior escuro e decididamente maligno. Sara a acompanhou.

Após descer alguns lances de escada, Sara se viu em uma sala clara com um mulher de 30 anos deitada. Ela se aproximou da mulher que proferiu algumas palavras em latim que Sara não entendeu. Após isso Sara tomou uma forte pancada na nuca e desmaiou. Seu corpo foi arrastado e colocado em uma mesa ao lado da mulher que estava deitada.

- Suzana te prometi a alma de um demônio para carregar sua doença e você me prometeu sua filha como pagamento – disse a velha encarando a mulher que a olhava fixamente – você cumprirá nosso acordo?
- Eu ... – a mulher então olhou para a própria barriga, imaginando como seria aquela criança que estava ali, tão próxima de ser oferecida como sacrifício - ... eu não quero mais isso! Quero ficar com minha filha, mesmo que eu morra logo.
- Você descumpriu com sua palavra. – o pescoço da mulher foi cortado rapidamente.
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